Com canções de Jaloo, espetáculo propõe reflexão sobre saúde mental, identidade e pertencimento, com dramaturgia escrita a partir do livro homônimo do escritor Alexandre Mortagua
Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 26 de janeiro de 2026)
Na primeira cena do livro Aqui, agora, todo mundo: como estou me matando e outros venenos que podem curar, do escritor Alexandre Mortagua, já lidamos com os pensamentos que o próprio autor teve em uma manhã de um sábado em se jogar da varanda do seu apartamento. O livro reúne contos baseados em experiências pessoais, nos quais ele transforma uma depressão longa e profunda em escrita.
Agora o livro vira cena. O espetáculo solo de Felipe Barros com o título homônimo do livro, Aqui, Agora, Todo Mundo, ganhou o Coelho de Prata de melhor espetáculo no 33º Festival Mix Brasil do ano passado e chegou à Sala Paschoal Carlos Magno do Teatro Sergio Cardoso.
A trama apresenta um homem gay que tenta reconstruir a própria história depois de atravessar o limite da existência. Entre o real e o imaginário, entre o trauma e a reinvenção, o personagem convida o público a entrar em sua cabeça, um território instável, íntimo e poético, onde cada cena é um fragmento de memória, um eco de vivência.

O espetáculo aborda os caminhos do entendimento da depressão que acompanha a vida do personagem por anos. As lembranças surgem como flashes: a família, os amores, as dores escondidas, os silêncios que moldam quem somos. Mas a peça não fala apenas sobre saúde mental, mas sobre sobrevivência emocional em uma sociedade que ainda marginaliza corpos dissidentes, especialmente os da comunidade LGBTQIAPN+. O texto atravessa temas como autoimagem, adolescência gay, pressão da performance social e a busca por afeto em meio ao caos.
Para sonorizar o espetáculo, a DJ Agatha trouxe as músicas da cantora Jaloo, uma expoente do pop, indie e eletrônico paraense, conhecida por sua fusão de ritmos regionais com batidas eletrônicas e visuais marcantes. “Durante o processo de descoberta da imagem sonora que o espetáculo teria, fomos explorando o universo musical da Jaloo, suas histórias e referências, e, a cada nova escuta, a música trazia um colorido especial à nossa narrativa. As letras pareciam dialogar com as memórias da personagem”, comenta Agatha.
“Jaloo possui também um pensamento muito eloquente sobre saúde mental. Isso está profundamente ilustrado em sua obra e foi algo definidor para compor a trilha do espetáculo.”, diz o diretor Heitor Garcia.
Serviço
Aqui, Agora, Todo Mundo
Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno. Rua Rui Barbosa, 153
Sábados, domingos e segundas-feiras, 19h. Nos dias 2, 9 e 23 de fevereiro, haverá roda de conversa com convidados após o espetáculo. R$ 80
Até 1º de março (estreou 24 de janeiro)
