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Peça imperdível de Kiko Mascarenhas estreia em São Paulo; leia entrevista

Sinopse

“Todas as Coisas Maravilhosas” fala sobre depressão e suicídio de forma delicada e potente

Por Fabiana Seragusa

Após cinco anos da estreia no Rio de Janeiro, o ator Kiko Mascarenhas chega a São Paulo com “Todas as Coisas Maravilhosas”, uma peça que emociona o público ao falar sobre temas como depressão e suicídio com uma delicadeza sem fim.

A história é sobre um menino que, aos seis anos de idade, descobre que sua mãe sofre de depressão e passa a deixar papeizinhos pela casa com listas de coisas maravilhosas existentes no mundo, para que ela recupere o ânimo e a vontade de viver.

Ao longo da apresentação, o artista recria o universo deste personagem, quando criança, e também as memórias que surgem conforme ele vai crescendo.

Com texto dos ingleses Duncan MacMillan e Joe Donahuer e direção de Fernando Philbert, a peça vai costurando uma relação cheia de dor e amor, com destaque para os pequenos detalhes do dia a dia.

A relação com a plateia tem um papel fundamental na construção da obra, já que Kiko recebe os espectadores antes da sessão e também conta com a participação de alguns deles durante a apresentação, criando uma conexão muito especial e única a cada dia.

A estreia no Tucarena marca os 40 anos de carreira de Kiko Mascarenhas, que acumula prêmios por suas atuações na televisão, no cinema e no teatro – são mais de 40 espetáculos atuando como ator.

Todas as Coisas Maravilhosas – crédito Luciana Mesquita

Abaixo, leia a entrevista que o Canal Teatro MF fez com o artista, que falou sobre a sua relação com a peça ao longo dos anos, do vínculo com a público e de sua própria lista de coisas maravilhosas.

Depois de anos em cartaz com “Todas as Coisas Maravilhosas”, mudou, de alguma forma, a sua relação com a peça?

Kiko Mascarenhas – Eu tinha alguns assuntos que me tocavam bastante. A questão do relacionamento dele com a esposa. Eu estava em um processo de separação de um casamento, então, naquele instante, aquilo me tocava bastante. Depois, nós paramos, teve a pandemia, e agora que nós voltamos, pós-pandemia, pós tudo o que nós vivemos, esses temas centrais da peça, depressão, suicídio, ganharam um outro lugar, porque eu passei por uma depressão, por um processo de depressão. Que foi grave, mas não o suficiente para eu pensar na questão do suicídio, mas eu passei a entender melhor a peça e as questões da peça.

Antes, eram questões fora de mim. Claro que eu conheci pessoas que tinham passado por depressão, eu conheci pessoas que tiraram a própria vida, mas era um assunto distante. E, a partir desse momento, eu comecei a enxergar a peça e as questões da peça atravessando por elas. E eu acho que isso vai acontecer enquanto eu carregar essa peça. Eu acho que muitos assuntos ali vão me sensibilizar e vão, de alguma forma, ao longo das temporadas, me modificando também.

A conexão que você estabelece com o público antes e durante o espetáculo é muito bonita e forte. Em sua opinião, essa interação engrandece a peça, em si, de qual forma? E o que você mais costuma ouvir do público, após o espetáculo?

Kiko Mascarenhas – O jogo, a relação com a plateia, ela é muito direta, né. O Lázaro Ramos, quando foi assistir, disse que deveria existir uma categoria no teatro chamado “Teatro de Aproximação”. E eu achei interessante essa observação dele, porque, de verdade, de fato, acho que o texto promove isso, ele propõe isso, uma busca por esse encontro entre ator e plateia.

Ele propõe um jogo em que a gente conte juntos essa história. A plateia sendo estimulada a participar. E a gente tem sempre a mesma historia, toda noite, mas toda noite ela sofre interferências, portanto, cada noite é uma noite única. Eu acho que a maneira como nós escolhemos receber o público… eu abraço, eu beijo, eu converso com o máximo de pessoas possível, antes de começar a peça.

E ao final da peça acontece uma espécie de fenômeno: as pessoas normalmente ficam por ali, elas não vão embora, elas ficam ali e querem conversar. De alguma forma, elas querem continuar aquele diálogo que a gente propôs ali no início. E eu já ouvi de tudo. Pessoas que se identificam com a história, pessoas que dão depoimentos pessoais, ao final da peça, ao pé do meu ouvido. Muitas vêm me abraçar e dizer da importância dessa peça.

E tem um outro fenômeno que acontece também, que é as pessoas irem mais de uma vez. Tem pessoas que já foram sete vezes, porque, como eu falei, a cada espetáculo, é uma nova peça. A mesma história, mas com alterações que fazem toda a diferença. Então é bonito de ver. É forte, é muito poderoso. Tem coisas que eu ouço que são muito íntimas. E é muito lindo, que, durante esse pequeno espaço de tempo, as pessoas se sintam confiantes o suficiente para abrirem o coração e contarem coisas muito pessoais. Eu acho lindo.

O que estaria, sem falta, em uma lista sua de coisas maravilhosas?

Kiko Mascarenhas – Na minha lista de coisas maravilhosas não pode faltar a amizade, sinceridade, gentileza, conforto, chocolate, teatro, férias, dias de sol, o cheiro da terra molhada depois da chuva, noites estreladas, vento… nossa, não pode faltar um monte de coisa.

SERVIÇO:

Todas as Coisas Maravilhosas

Teatro Tucarena – Rua Monte Alegre, 1024 (Entrada pela Rua Bartira) / Perdizes – SP

Sexta e sábado às 21h e domingo às 18h

 Estreia 08 de março. Até 30 de junho

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Ficha Técnica

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Serviço

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