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Memória e feminismo dão o tom ao espetáculo “Carta à Rainha Louca”

Sinopse

Peça inspirada no livro de Maria Valéria Rezende propõe uma viagem no tempo ao narrar a história de uma mulher do fim do século XVIII que foi encarcerada pelos homens da Coroa por ajudar pessoas em condições de vulnerabilidade social

Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 15 de setembro de 2025)

A escritora Maria Valéria Rezende exerceu a atividade de freira missionária durante alguns anos. Na ocasião em que pesquisava os arquivos históricos ultramarinos em Lisboa, em 1982, encontrou uma carta endereçada à coroa portuguesa, que apresentava a defesa de uma mulher alegando ter sido presa injustamente por insubmissão à Igreja.

A tal indisciplina foi acometida por Isabel das Santas Virgens, no fim do século XVIII, em Minas Gerais. Ela fundou uma comunidade com o objetivo de acolher mulheres pobres, sem família, sem renda e sem destino, conhecidas como “sobrantes”, população constantemente vítima de violência. No entanto, o ato incomodou os poderosos e ela foi presa no convento do Recolhimento da Conceição, localizado em Olinda (PE), sob a falsa acusação de tentar criar um convento feminino clandestino.

Cena da peça Carta à Rainha Louca. Foto Daisy Serena

Encarcerada por cerca de três anos, ela acreditava que sua libertação viria através do poder das palavras. Por isso, escreveu uma carta à Maria I, conhecida como Rainha Louca de Portugal, relatando sua história e os abusos praticados pelos homens da Coroa contra a população vulnerável. 

Foi a partir desta história que Maria Valéria escreveu o livro Carta à Rainha Louca, ganhador do Prêmio Oceanos em 2020. Agora a tessitura escrita por Valéria segue nas mãos de muitas artistas que transformaram o romance em teatro. Se o livro mantém a narrativa em uma única voz, o espetáculo homônimo ganha um coro de dezessete mulheres em cena. Idealizado por Lilian de Lima, dramaturgia de Bárbara Esmenia e direção de Patricia Gifford, a peça está em cartaz no Sesc Bom Retiro

“Esse coral poderoso, com uma equipe artística grande ao redor – é composto por pessoas com diferentes idades, com variadas experiências em teatro, vindas de diferentes territórios, numa diversidade étnico racial e de gênero – enfrentando a beleza do desafio de formar um coro. Quisemos evocar a coletividade, trazendo o sentido de uma rede, de uma aliança, de uma força, de um certo sentido de comunitarismo, porque é uma história de opressão”, conta Patricia. 

O elenco da peça Carta à Rainha Louca. Foto Daisy Serena

E, por ter um elenco numeroso em cena, Carta à Rainha Louca explora a ocupação do palco para criar as impactantes imagens que ambientam a trama. O figurino e cenário de Thaís Dias Carol Gracindo, juntamente com os adereços, tem a capacidade de se expandir, transformando-se em múltiplos elementos de cena.

Já a sonoridade proposta pela direção musical de Fernanda Maia faz uma intersecção entre os tempos. “Fernanda se preocupou em remeter tanto aos estilos musicais comuns do século XVIII quanto aos ritmos mais contemporâneos e de domínio público, como em uma cena em que um coro de lavadeiras entoa uma cantiga de roda antiga, cantada até os dias de hoje”, comenta Lilian.

A obra de Maria Valéria Rezende já havia inspirado uma outra adaptação, por Ana Barroso, agora um monólogo, encenado no ano passado, com direção de Fernando Philbert e sob o título de Isabel das Santas Virgens e sua Carta à Rainha Louca.

Serviço

Carta à Rainha Louca

Sesc Bom Retiro. Alameda Nothmann, 185

Sextas e sábados, 20h. Domingos, 18h. Sessão extra no dia 10 de outubro, 15h. R$ 60

Até 12 de outubro (estreou em 12 de setembro)

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Ficha Técnica

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Serviço

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