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“Habitat” revela o perigo da manipulação da verdade

Sinopse

Drama escrito e protagonizado por Rafael Primot (que divide a cena com Fernanda de Freitas e Rogério Brito) revela como a sociedade pode ser influenciada pela força da mídia e por julgamentos precipitados

Por Ubiratan Brasil (publicada em 20 de janeiro de 2026)

Um cachorro é morto pelo segurança de um supermercado, depois de reclamações de clientes incomodados com a presença do animal. Adailton (Rafael Primot) toma a atitude extremada depois de confrontado pelo seu chefe, o gerente da loja Tite (Rogério Brito). O vídeo com as cenas é acessado pela jornalista Nádia (Fernanda de Freitas) que, ferrenha defensora dos animais, inicia uma feroz campanha pela prisão de Adailton, buscando ainda a aprovação, no Congresso Nacional, de uma lei mais rigorosa na pena para crimes como esse.

Esse é o ponto de partida de Habitat, espetáculo em cartaz no Teatro Estúdio, em São Paulo. Durante quase duas horas, o público acompanha o tenso desenrolar de uma trama marcada por manipulação da verdade, pela força do cancelamento nas redes sociais e pela grave consequência provocada por atitudes impensadas das pessoas.

Escrita por Rafael Primot, a dramaturgia nasceu de sua observação das redes sociais e notícias, especialmente de como as pessoas passam a julgar e a condenar sem ouvir todos os lados das histórias. “Esse fenômeno contemporâneo do cancelamento e da desumanização me instigaram profundamente. Comecei a refletir sobre como estamos perdendo a capacidade de empatia, e o teatro, para mim, é o espaço ideal para debater isso e colocar uma lente de aumento sobre nossos comportamentos coletivos”, revela.

Rafael Primot, Fernanda de Freitas e Rogério Brito em Habitat. Foto Leekyung Kim

Preso, Adailton tem como única defesa a justificativa de que cumpriu ordens. Para manter limpo o nome do supermercado Compra Tudo, o gerente Tide tenta aliciar Nádia para que consiga que o trabalhador assuma a culpa sozinho. Em troca, benefícios polpudos, que justificam o nome do estabelecimento e que vão ajudar sua ONG de preservação de animais.

Em sua veemente defesa da segurança dos animais, Nádia não percebe (ou não quer ver) que também destrói lares, além de revelar uma grande insensibilidade – sua ONG, por exemplo, concebe benefícios fisioterápicos para animais, por exemplo, mas ela não atende o pedido de Adailton para atender seu filho machucado.

“A força de Habitat está na palavra, nos diálogos que movem a ação e revelam as camadas psicológicas de cada personagem. É um texto sobre o que dizemos, mas principalmente sobre o que nossas palavras podem causar. E essa força ganha vida através do elenco, com enorme potência dramática, e a parceria inédita entre Eric Lenate e Lavínia Pannunzio na direção, que trouxe uma intensidade e um olhar sensível para esse embate humano”, acrescenta Primot.

Serviço

Habitat

Teatro Estúdio. Rua Conselheiro Nébias, 891, Santa Cecília

Terças, quartas e quintas-feiras, 20h (não haverá sessões nos dias 17, 18 e 19 de fevereiro). R$ 100

Até dia 5 de março (estreou 13 de fevereiro)

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Ficha Técnica

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Serviço

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