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“Funny Girl” traz clássicos como “People” na história da mulher talentosa que vence tabus

Sinopse

Musical consagrado por Barbra Streisand ganha versão mais enxuta e que aposta no humor para revelar a resiliência feminina

Por Ubiratan Brasil

No filme Poderia me Perdoar, a atriz Melissa McCarthy foi indicada ao Oscar de 2018 pelo papel de Lee Israel, uma autora de biografias outrora bem sucedida, mas que agora só coleciona fracassos. Na tentativa de se recuperar, ela propõe à sua agente literária escrever sobre a trajetória da comediante Fanny Brice (1891-1951), que fez muito sucesso na Broadway no início do século passado.

“Ninguém quer um livro sobre Fanny Brice! Não há nada de novo ou sexy em Fanny Brice! Não consegui um adiantamento nem de dez dólares para um livro sobre Fanny Brice”, esbraveja a agente, encerrando a questão. Pois é essa mesma Fanny Brice a inspiradora do musical Funny Girl, que voltou em cartaz e hoje é um dos hits da Broadway, e cuja versão brasileira estreia nesta sexta-feira, dia 18, no Teatro Porto Seguro.

Altos e baixos sempre marcaram a trajetória de Fanny, artista que compensava a falta da beleza pedida na época com uma qualidade vocal e um senso de humor inigualáveis. “Na verdade, era uma mulher ousada para seu tempo, pois não obedecia aos padrões estabelecidos”, observa a atriz Giulia Nadruz, protagonista de Funny Girl – nas sessões de domingo, o papel será vivido por Vania Canto. “É esse aspecto que destacamos em nossa montagem, a de uma mulher que equilibra sua força e poder para tentar conciliar família e trabalho.”

Giulia Nadruz é a protagonista de Funny Girl. Foto Caio Gallucci

De fato, a versão nacional é mais curta e mais focada que a original da Broadway, de 1964, que consagrou Barbra Streisand, também estrela da versão cinematográfica de William Wyler, de 1968. “Até hoje, discutimos esse tipo de feminismo praticado pela Fanny, por isso que mostrar como existem mulheres poderosas há muito tempo me interessou bastante”, comenta o diretor Gustavo Barchilon.

“Os clássicos precisam ser revistos, porque muitos hoje em dia são politicamente incorretos. E Funny Girl também tinha alguns pontos assim. Sugeri algumas adaptações, reduzi o texto de 265 para 60 páginas e expliquei para os detentores dos direitos do espetáculo o porquê estava fazendo isso e eles aceitaram e ficaram curiosos para ver as mudanças”, continua o diretor.

Beleza padrão

O espetáculo, que se passa na época da Primeira Guerra Mundial, acompanha a trajetória da jovem judia Fanny Brice, que morava no Lower East Side e sonhava em ser uma atriz famosa. Ela consegue seu primeiro emprego no vaudeville, mas sua mãe, Rose (Stella Miranda), tenta dissuadi-la da carreira no show business simplesmente porque a filha não tem uma beleza padrão.

Ajudada e encorajada pelo jovem dançarino Eddie Ryan (André Luiz Odin), ela logo vê sua carreira decolar, começa a explorar o humor em suas apresentações e se torna a estrela de Ziegfeld Follies, show burlesco do grande produtor Florenz Ziegfeld (Arízio Magalhães). Até o dia em que conhece e se apaixona pelo sedutor Nicky Arnstein (Eriberto Leão), que não passa de um jogador compulsivo. Mas, enquanto Fanny ascende em sua carreira, o relacionamento deles se deteriora.

Eriberto Leão e Giulia Nadruz são protagonistas de Funny Girl. Foto Caio Gallucci

“Ele é um galanteador, mas, como o homem daquela época, não consegue aceitar o sucesso da mulher que contrasta com seu fracasso”, comenta Eriberto que, depois de viver Jim Morrison no autoral Jim, estreia em um musical da Broadway. “Mas Nick, no fundo, é um bom homem: se no início suas intenções não são boas, ele acaba se apaixonando por Fanny.”

Apesar de enxuta, a versão de Barchilon traz sucessos como People, Don’t Rain on My Parade e I’m the Greatest Star, executadas por uma banda ao vivo com 14 músicos. E, como acontece em qualquer produção mundial, Funny Girl traz um desafio criado a partir da interpretação de Barbra Streisand cuja escrita vocal torna a escalação para esse papel um grande desafio.

“Com o tempo, Barbra adaptou as canções ao seu estilo, criando uma forma espetacular de interpretar Fanny Brice, mas também muito particular”, conta Giulia, que não se preocupou em imitar a grande estrela. “Ao ler as partituras originais, descobrimos muitos detalhes que Barbra deixou de lado mas que enriquecem muito a interpretação.”

“Nossa versão é completamente original, pois acrescentamos e cortamos o texto, inserimos músicas do filme, colocamos músicas que estão na montagem atual em cartaz na Broadway – e, além disso, nossa montagem é a primeira que se passa em um só ato”, completa Barchilon que, ainda criança, acostumou-se a ouvir as canções do musical durante as reuniões de família.

Espaço para atrizes veteranas

E, para reforçar o protagonismo feminino, o papel de Rose Brice, mãe de Fanny, ganha mais destaque – e, ao contrário da original, que não apoiava a filha em sua ambição artística, aqui é diferente. “Ela abraça e incentiva a carreira dela como se fosse sua própria”, comenta Stella Miranda, cujas intervenções cômicas são um ponto alto do show. “E ter essa importância é dar voz também a uma categoria de atrizes de certa idade que não têm esse espaço”, observa ela, que vai completar 73 anos em outubro.

O humor ferino, rasgado, inteligente, que era uma característica de Fanny Brice, está presente no espetáculo. Amiga de Dorothy Parker, outra mulher genial, Fanny soltava comentários como sua descrição da atriz Esther Williams, famosa pelos filmes em que fazia coreografias em piscinas: molhada, Esther é uma estrela; seca, um fracasso. Também se tornou lendário o número musical em que faz uma noiva que se revela grávida, algo condenável para moral da época.

“O humor é a maior defesa de Fanny contra o mundo que insistia em excluí-la. Ela fazia piada até nos momentos de maior perigo”, conta Giulia que, com o papel, atinge um patamar superior no musical brasileiro.

Serviço
Funny Girl – A Garota Genial
Teatro Porto Seguro
Al. Barão de Piracicaba, 740
Sextas às 20h. Sábado às 16h30 e 20h. Domingo às 15h30 e 19h
Plateia: R$ 250
Balcão: R$ 150,00
Balcão (Preço Popular): R$ 50
Até 8 de outubro

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Ficha Técnica

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Serviço

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