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“Fracassadas BR” exalta a vivência LGBTQIAPN+ e das ruas

Sinopse

Espetáculo possui elenco inteiro LGBTQIAPN+ e maioria da equipe criativa
é composta por pessoas trans

Por Ubiratan Brasil

O título da peça, Fracassadas, provoca uma reação inicial de desconfiança do espectador, mas, na verdade, trata-se de uma ironia. “Para o sistema social, somos pessoas fracassadas pois não contribuímos com a manutenção desse sistema – e é justamente isso o que queremos”, comenta a dramaturga e poeta Ave Terrena, que divide a direção e dramaturgia de Fracassadas BR com Ymoirá Micall, travesti que atua como artista multidisciplinar.

Com 1h15 de duração, o espetáculo que estreia na quinta-feira, dia 31, tem elenco e equipe criativa formados apenas por pessoas da comunidade LGBTQIAPN+. Trata-se de um bem sucedido projeto, o primeiro a receber apoio do recém criado Instituto Brasileiro de Teatro (IBT), uma ação de cinco amigos que decidiram dedicar seu tempo e investimento na arte, no teatro em particular.

Assim, em 2022, com o objetivo de fomentar as artes cênicas no país, o grupo realizou sua primeira convocatória de projetos independentes, a fim de injetar o valor de R$ 500 mil em um escolhido, que poderia finalmente realizar a ideia. Entre 82 inscritos, Fracassadas BR foi o vencedor, recebendo o investimento para que a história ganhasse vida.

Sede do IBT

O trabalho, que estreia em um dos andares da sede do IBT, oferece ao público uma experiência imersiva, dividida em dois momentos. Ao chegar, os espectadores são convidados a explorar cinco instalações dispostas em ambientes que rodeiam uma sala central.

Cada uma delas têm o objetivo de transmitir um “ruído” específico, que surge a partir de sons e corpos ocupando lugares os quais o status quo da sociedade não reconhece como padrão, e, por isso, os exila, os esconde na escuridão da noite.

“A dramaturgia combina com o espaço, pois tudo se passa em uma boate abandonada, onde o som traz referências do funk, da cultura ballroom e das quebradas e bairros da nossa infância”, comenta Ymoirá. A história que escreveu com Ave tem como ponto de partida o livro A Arte Queer do Fracasso (Cepe Editora), em que o teórico americano Jack Halberstam investiga alternativas e rotas de fuga em uma sociedade fascinada por uma ideia heteronormativa de sucesso.

“Partimos dos conceitos de Halberstam, mas criamos uma história debochada, em que mostramos como nossos corpos, embora criticados pela sociedade, não são inutilizáveis, muito pelo contrário”, comenta Ave.

Cena da peça Fracassadas BR. Foto Bruno Favery

É o que explica, por exemplo, a presença de 16 monitores de televisão antigos, aqueles ainda com tubos, nos quais são apresentados vídeos com depoimentos de pessoas que vivem em dois Centros de Acolhida: Casa Florescer 1, focada em travestis e mulheres transexuais, e Casa Especial para Homens João Nery, voltada para homens trans e pessoas transmasculinas. “É uma forma de trazê-las também para a peça e mostrar que o fracasso é, na verdade, um êxito”, explica Ymoirá.

O poder de Susy Shock

A história traz uma visão poderosa e transformadora sobre a força e resiliência desses indivíduos que enfrentam os desafios impostos pelo mundo heterocisnormativo, celebrando sua autenticidade e criando uma narrativa poderosa de inclusão e igualdade. “Gosto de citar a artista argentina Susy Shock, cujo slogan é: ‘Reivindico meu direito a ser um monstro’. Nem só homem nem só mulher”, comenta Ave.

O elenco, composto apenas por pessoas da comunidade LGBTQIAPN+, conta com os nomes de Barbara Vitoria, Lucas Madureira, Jota Guerreiro Vilar, Rand Barbosa e Wini Bueno Lippi. O projeto é impulsionado pela Coletiva de Teatro, grupo existente desde 2019 na cidade de São Paulo, com o foco em criar e produzir projetos com artistas convidados.

Os ingressos serão no estilo pague o quanto puder, com valor mínimo e simbólico de R$2, com a possibilidade de pagar a mais, caso o espectador deseje.

Serviço

Fracassadas BR

Centro Cultural de Artes Cênicas, sede do Instituto Brasileiro de Teatro
Av. Brigadeiro Luís Antônio, 277 (Antiga Lions). De 31 de agosto a 10 de setembro (quintas a sábados às 20h e domingos às 19h);

Centro Cultural Arte em Construção, sede do Instituto Pombas Urbanas
Av. dos Metalúrgicos, 2100 – Cidade Tiradentes. De 21 a 30 de setembro (de quintas-feiras a sábados, às 20h);

TUSP – Butantã. R. do Anfiteatro, 109. De 12 a 29 de outubro (quintas-feiras a sábados às 20h e domingos às 19h).

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Ficha Técnica

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Serviço

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