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Perda da visão inspira discussão sobre hereditariedade a partir de condição genética rara

Sinopse

Com duas indicações ao Prêmio Shell no Rio de Janeiro (cenário e direção), peça “Hereditária”, da multiartista Moira Braga, chega a São Paulo com recursos de acessibilidade integrados de forma orgânica desde a dramaturgia até a encenação

Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 5 de fevereiro de 2026)

Aos sete anos de idade, a multiartista Moira Braga descobriu uma condição genética rara que causaria a perda da sua visão. As características biológicas transmitidas por mães e pais aos filhos orientaram a construção do espetáculo Hereditária, que estreou no Rio de Janeiro recebendo duas indicações ao Prêmio Shell e agora chega em São Paulo, no Sesc Pompéia. 

O espetáculo não utiliza a ideia de hereditariedade vinculada apenas às estruturas encontradas nos genes. A dramaturgia, escrita pela atriz em parceria com o diretor do espetáculo, Pedro Sá Moraes, entrelaça acontecimentos da vida pessoal e da ancestralidade de Moira a referências históricas, científico-sociais e mitológicas – como o mito grego das Moiras, três irmãs funestas que tecem o destino de todos os seres. Entre o biográfico, o poético e o político, a peça reflete sobre o quanto de nossas vidas é predeterminado e o quanto temos poder de escolha. 

Hereditária aborda temas sensíveis, doença, morte, perdas. Mas não é sobre isso. Penso que esse espetáculo é sobretudo uma história de amor à vida. O público é convidado a refletir sobre o que são nossas heranças e nossa hereditariedade: aquilo que nos chega pela ancestralidade, o que se perde pelo caminho e as heranças que escolhemos carregar. Heranças congênitas, sociais, culturais e simbólicas que atravessam corpos e histórias”, explica Moira.

Cena do espetáculo Hereditária. Foto Thelma Vidales

Há duas décadas, Moira vem construindo uma trajetória relevante na cena artística brasileira, especialmente no campo da cultura DEF. Atua como autora, bailarina, atriz e preparadora de elenco no teatro e no audiovisual. E esse aspecto está bastante presente na encenação. No palco, a idealizadora contracena com duas outras atrizes: Luize Mendes Dias, que também é intérprete de Libras, e a multi-instrumentista Isadora Medella. A Língua Brasileira de Sinais e a audiodescrição estão integradas de forma orgânica desde a dramaturgia até as movimentações cênicas, expandindo as fronteiras do que tradicionalmente se compreende como acessibilidade.  

O cenário, concebido como uma instalação visual e sonora pelo músico e artista plástico Ricardo Siri, é formado por objetos que produzem sons ao serem pisados, tocados, percutidos ou deslocados em cena. Pessoas cegas e com baixa visão são convidadas a fazer uma visita guiada antes da abertura das portas, para explorar os elementos cenográficos de forma tátil, ampliando a experiência sensorial do espetáculo.

 Já a direção de movimento é assinada por Edu O., performer e professor da UFBA, primeiro professor de dança cadeirante de uma universidade pública brasileira e referência nacional no debate sobre Arte DEF. 

Serviço

Hereditária

Sesc Pompeia. Rua Clélia, 93

Quarta à sexta-feira, 19h30. Quinta-feira também com sessão vespertina, 16h

Até 27 de fevereiro (estreia 4 de fevereiro)

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Ficha Técnica

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Serviço

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