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Como encenar a felicidade de ter 7 anos

Sinopse

Nau de Ícaros encara o livro infantil que mais fala sobre a felicidade de ser criança, “O Menino Maluquinho”, de Ziraldo, e pela segunda vez convida para assumir a frente da encenação no Sesi o veterano Marcelo Romagnoli

Por Dib Carneiro Neto (publicada em 22 de agosto de 2025)

Talvez não haja um livro de autor brasileiro que fale tão bem sobre a felicidade de ser criança quanto O Menino Maluquinho, lançado há nada menos que 45 anos pelo incrível escritor e ilustrador mineiro Ziraldo, que nos deixou há pouco mais de um ano, em abril de 2024. Por isso, outras linguagens se interessam muito pela vivacidade da obra, como o cinema e o teatro. Em São Paulo, no coração da Avenida Paulista, como se diz, no Teatro do Sesi do Centro Cultural Fiesp, estreia nesta semana – com entrada franca – uma nova adaptação do livro, feita por outro craque em traduzir e compreender o universo infanto-juvenil, Marcelo Romagnoli. O Menino Maluquinho, a peça, escrita e dirigida por ele a convite do longevo grupo paulistano Nau de Ícaros, será a obra de número 38 de sua vasta e bem-sucedida lavra.

Diante de tudo o que Romagnoli já criou e encenou, impossível não considerar ele próprio um menino maluquinho, cheio de “macaquinhos no sótão”, como diz o livro.  Ele confirma: “Sim. Fui mais maluquinho por dentro do que por fora, mas fui”. Provocar a identificação com o personagem é sempre um trunfo dessa obra. “Apesar da dureza de um mundo que luta pela sobrevivência, cada espectador pode se identificar, porque um dia, nem que por alguns segundos, já brincou”, diz Romagnoli. 

O elenco de O Menino Maluquinho, com a Nau de Ícaros. Foto Ale Catan e Carlos Lopes Nunes

“O livro não tem exatamente uma história, é um estado de ser criança”, define magistralmente o adaptador. “O Menino Maluquinho é daqueles clássicos que marcam o imaginário. E, 45 anos depois de sua publicação, a panela na cabeça continua sendo símbolo de uma infância feliz.” Ele destrincha mais o seu trabalho e o que ele trouxe do livro para o palco: “A peça tem o mundo com a família, com a escola, com os amigos, com as viagens pela poesia. Tem a eletricidade dos sete anos de idade. Tem os desenhos, o risco, as linhas retas dos quadrinhos, o preto e branco. Tem a relação com o envelhecimento. Ziraldo foi um pai que acreditou no afeto e viu o tempo confirmar sua opção.” 

Na peça que você vai ver no Sesi paulistano, em cartaz até o fim de novembro, o serelepe protagonista é dividido entre dois atores, Leopoldo Pacheco e Yudchi, com idades diferentes.  E tem citações de outras obras de Ziraldo, como Uma Professora Muito Maluquinha, A Super-Mãe, O Aspite e a participação da turma principal do Maluquinho.  Juntando tudo isso, virou uma peça sobre o quê, exatamente? Romagnoli nem titubeia na resposta: “O tempo. O momento. A alegria de ter nascido.”

O elenco de O Menino Maluquinho, com o menino Yudchi. Foto Ale Catan e Carlos Lopes Nunes

Mais afeito a trabalhar com seu grupo, a Banda Mirim, é a segunda vez que ele aceita trabalhar com a Nau de Ícaros. “Depois de As Aventuras do Barão de Munchausen, esta é nossa segunda parceria. Sou muito agradecido pela confiança. A Nau é uma família. Tem mais de 30 anos e uma história importante de formação e criação, principalmente na área do circo, dos números aéreos, do corpo acrobático, da dança, com um elenco muito amoroso, comprometido e integrado. O Marco Vettore, que comanda tudo, tem uma visão ao mesmo tempo artística e funcional muito rara.”

Romagnoli está cercado de competência, aliás. A ficha técnica desse Maluquinho está impecável. Vejam:  idealização de Erica Rodrigues, música Original de André Abujamra e Antonio Pinto, design de Luz de Wagner Freire, cenografia e projeções: do Estúdio Bijari, figurinos do Chris Aizner, coreografia e direção de movimento de Erica Rodrigues e Letícia Doretto, coreografia Hip Hop por Ciça Veronese, visagismo de Leopoldo Pacheco, adereços de Daniel Roque, produção executiva de Clissia Morais e coordenação geral de Marco Vettore. “Toda a equipe é sensacional”, arremata Romagnoli. “A encenação é simples. A opção do Sesi pelo investimento em cultura é na verdade um responsável dever de retorno de nossa parte. Acesso grátis. Liberdade de criação. Dignidade de produção. Tudo para gerar educação emocional, que só a arte sabe oferecer.”

Serviço

O Menino Maluquinho

Teatro do Sesi-SP. Centro Cultural Fiesp. Av. Paulista, 1313

Quintas e sextas, 11h. Sábados e domingos, 15h. Grátis

Até 30 de novembro (estreia em 22 de agosto)

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Ficha Técnica

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Serviço

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