Com direção geral de Beto Marden e Sandro Chaim, “Os Piratas da Terra do Nunca” é uma superprodução musical, com muitos efeitos especiais de cenografia e a intenção de divertir celebrando amizade e diversidade
Por Dib Carneiro Neto
Ah, os vilões. O que seria das ficções sem eles, sem a força de suas peripécias, sem o sabor de suas maledicências, sem a diversão de suas vilanias, sem as ameaças que impõem aos bonzinhos da história? Há vilões de toda espécie no reino numeroso das dramaturgias universais, mas, quando a ação se passa no mar, ninguém vence o protagonismo hilariante dos piratas. Pernas de pau, olhos de vidro, caras de mau. Neste fim de semana, o primeiro de fevereiro, eles estão de volta a São Paulo, em um musical inédito, grandioso, feito por craques do gênero, em um “teatrão” paulistano muito afeito a receber superproduções de censura livre.
No Teatro Procópio Ferreira, estreia Os Piratas da Terra do Nunca, com direção geral de Beto Marden e Sandro Chaim; texto e letras de Walter Junior, direção musical e músicas de Charles Dalla e coreografias de Danilo Barbieri, entre tanta gente boa na ficha técnica. “Somos fãs uns dos outros, é uma equipe afetuosa, muito bem escolhida e entrosada”, conta Beto Marden, em conversa exclusiva com os leitores do Canal Teatro MF.

Por que decidiram dar foco aos piratas? “O espetáculo nasceu a partir de um desejo do Sandro Chaim, que vive perseguindo coisas novas, procurando novidades pelo mundo”, responde o parceiro Beto Marden. “Ele observou que o tema piratas tem sido bem explorado e frequente no mundo do entretenimento mundial, do cinema à gastronomia, pois há até muitos restaurantes no Sul do nosso país que usam os piratas como tema. Por que não fazer um espetáculo musical brasileiro? Sandro nos convenceu a todos e arregaçamos as mangas. Piratas são os marginais dos oceanos e mares, são figuras exóticas e misteriosas. Quem não gosta disso?”
Na peça, personagens inspirados na obra de J. M. Barrie, como Capitão Gancho, Peter Pan e Tinker Bell (Sininho) convivem com figuras criadas especialmente para esta montagem, como o pirata Jack Daniels, grande fã do Capitão Jack Sparrow, personagem da franquia de cinema Piratas do Caribe. “Capitão Gancho tem um novo plano”, adianta o diretor Marden. “Peter, Sininho e Wendy começam a desconfiar que ele vai aprontar outra para eles. Mas se enganam ao descobrir o que realmente Gancho quer promover: um espetáculo! Não faltarão cenas em que amizade e cumplicidade prevalecerão entre os personagens, bem como a valorização da diversidade.”

Na direção de atores, Beto e Sandro pediram bastante ao elenco que fosse “um espetáculo que tivesse a quarta parede aberta tanto quanto possível, propondo formas diferentes de provocar, de interagir, de estar com a plateia”, como explica Beto Marden. “Solicitamos muito gás, muita energia nas interpretações, pois os piratas têm uma sagacidade incomum. Reinventar clássicos infantis sempre vai ser algo muito legal no teatro, porque precisamos manter essas histórias no imaginário das gerações. Elas estão nas nossas memórias e no inconsciente coletivo, então isso facilita por gerar identidade imediata e empatia.”
E se preparem para muitas surpresas. Um navio de 16 metros sobre o palco, 17 artistas em cena atuando, cantando e dançando ao vivo, números aéreos, tirolesa com atores que cruzam a plateia, lutas de espadas na vertical (na parede), parkour (esporte que usa o corpo como equipamento e tem como objetivo transpor obstáculos), sapateado e percussão ao vivo – os barris da embarcação se transformam em tambores nas mãos dos personagens. Tudo isso muito bem pensado, muito bem realizado, no melhor estilo do que se convencionou chamar de “teatro de 360 graus”. Marden comenta: “O teatro 360 graus é a ideia de preencher o espaço completamente, invadindo a plateia com efeitos e ações, fazendo a criança se sentir de fato dentro de uma aventura”.
Beto Marden lembra que o diferente e inovador não estarão só nas cenografias de efeitos. Ele diz: “Na minha opinião, o diferente e o inovador da peça ficarão bastante evidentes nas canções originais de Charles Dalla e Walter Júnior, uma dupla com muito repertório e pegada de musical brasileiro. Uma musicalidade bacana, ritmos diversos, cantores ao vivo.” Só nos resta correr para ver e ouvir. Piratas, recolham suas âncoras. Vamos partir.
Serviço
Os Piratas da Terra do Nunca
Teatro Procópio Ferreira. Rua Augusta, 2823. Telefone: (11) 3083-4475
Sábado, 16h30. Domingo, 15h. R$ 130
Até o mês de abril (estreia 1º de fevereiro)