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A chance de rever sete pérolas do repertório da Cia. Truks

Sinopse

No Teatro Viradalata, sete espetáculos escolhidos a dedo compõem a ‘Mostra Truks – 36 Anos – Encantando Gerações’, como resposta a quem duvida da longevidade de uma companhia de teatro para crianças neste país sem memória nem políticas culturais consistentes

Por Dib Carneiro Neto (publicada em 13 de março de 2026)

“Quando passamos um tempo maior longe dos palcos para apresentações abertas, algumas vezes recebemos e-mails perguntando: Vocês ainda se apresentam? O grupo ainda existe?”, comenta o diretor Henrique Sitchin, há 36 anos à frente de uma das mais premiadas e respeitadas companhias teatrais de animação do Brasil, a Cia. Truks.

Para não serem esquecidos, conseguiram a proeza de realizar uma mostra retrospectiva, que batizaram de Mostra Truks – 36 Anos – Encantando Gerações, com sete das peças mais emblemáticas de seu repertório. Será no Teatro Viradalata, em São Paulo, de 14 de março a 25 de abril. Simplesmente imperdível. Emoção à flor da pele em cada uma das sete atrações escolhidas. “Então essa Mostra será muito importante para respondermos: Sim, estamos aqui, firmes e fortes e na luta!” 

Essa maratona histórica, portanto, poderia perfeitamente se chamar Ainda Estamos Aqui. É uma oportunidade para o público da Capital matar a saudade do grupo, que, neste hiato de tempo, também circulou por festivais em Portugal e na Colômbia.  O público poderá conhecer ou rever personagens icônicos como o menino Lucas, de O Senhor dos Sonhos, da encantadora Bruxinha, dos três maluquinhos hiper criativos de Sonhatório, e dos incríveis bichos de Zoo-ilógico, entre tantos outros.

Um pouco da sinopse de cada uma das sete peças: 

Dias 14 e 15 de março – 15h – O Senhor dos Sonhos
A poética peça conta a bonita história do menino Lucas que, totalmente mergulhado em seus sonhos, fantasias e invenções mirabolantes, procura, sem muito sucesso, adaptar-se às regras sociais. 

Cena de O Senhor dos Sonhos, da Cia Truks. Foto Thiago Cardi

Dia 21 de março – 15h – Isso é Coisa de Criança
 Após a realização de dezenas de oficinas para crianças de Centros de Acolhimento da Prefeitura de São Paulo, o espetáculo foi concebido com o objetivo de materializar, nos palcos, as ideias criadas por elas, em seus exercícios.  

Cena de Isso é Coisa de Criança, da Cia Truks. Foto Alberto Rocha

Dias 28 e 29 de março – 15h – Sonhatório
É hora do almoço no Sanatório Boa Cabeça! Três supostos loucos sentam-se à mesa, porém não há nada para comer ou beber. Para passarem o tempo, os amigos inventam uma deliciosa “viagem” pelo mundo das brincadeiras, que os levará para áridos desertos, para o fundo do mar e para longínquos planetas.

 Dias 4 e 5 de abril – 15h – Serei Sereia?
A emocionante história da menina Inaê, que nasceu com um grande desafio: ela não pode andar. Sua mãe, então, lhe conta uma história tão bonita: na verdade, Inaê é uma sereia e por isso ela jamais poderá andar como os humanos. 

Dias 11 e 12 de abril – 15h – Zoo-Ilógico
A partir do uso, e da transformação de simples objetos do cotidiano, desfilam pela cena mais de uma dezena de divertidas e inusitadas criaturas animadas: uma galinha feita com um bule e um espanador de pó, uma tartaruga composta por uma saladeira e uma colher, um gato simbolizado por uma peneira, entre tantas outras. 

 Dias 18 e 19 de abril – 15h – Expedição Pacífico
 Aqui a Cia. Truks trata de fazer, da grande Ilha de lixo que cresce a cada dia em algum ponto do Oceano Pacífico, cuja extensão já é maior do que vários estados do Brasil juntos, uma sutil alegoria de situações do nosso cotidiano. Na Grande Ilha de Lixo do Pacífico é que vão parar toda a sorte de detritos e rejeitos da nossa humanidade. 

Cena de Expedição Pacífico, da Cia Truks. Foto Alberto Rocha

Dia 25 de abril – 15h – A Bruxinha
Baseada na obra da premiadíssima autora e ilustradora Eva Furnari, foi o primeiro trabalho da Cia. Truks. A peça estreou em 1991 e foi, sem dúvida, um dos grandes fenômenos do teatro para crianças em nosso país, não apenas pela grande repercussão que teve em toda a mídia, ao apresentar novas formas de animação de bonecos, nunca antes vistas em São Paulo, mas sobretudo pelo encantamento que provocava (e continua provocando) no público. 

Um pouco sobre a cabeça do diretor

A ocasião é propícia para se conhecer mais a fundo o homem criativo por trás de todas essas criaturinhas animadas que atravessam os anos encantando gerações. A arte da Truks, claro, é coletiva, com todo mundo ajudando na fábrica de imaginação, mas o capitão Henrique Sitchin segura as rédeas com plena sensibilidade e vontade de acertar. Vejam um jogo rápido de provocações que ele aceitou responder, nem sempre conseguindo ser sucinto, o que é de sua natureza, como bem sabem os que o conhecem. 

Um sonho ainda a realizar.
“Escrevi uma série para TV. Uma história bem bonita. É um trabalho que venho maturando aqui dentro há uns 3 anos. Recentemente terminei a redação. Nesse momento, essa série ganhar vida (e a tela) seria um grande sonho a realizar…”

Um orgulho.
”Podem ser três? (risos). Não consegui escolher um só

1) Meus filhos serem hoje caras tão legais, e seres humanos admiráveis (deve-se mais às mães deles do que a mim, mas tenho uma pequena participação de que muito me orgulho)

2) a Truks. É um grande orgulho olhar pra trás, e ver taaaanta produção. Ver que isso alegra e emociona tanta gente ao longo de tantos anos… Dá sentido pra vida!

3) ter hoje o que chamamos de uma grande família. Eu e minha companheira, a Karina, temos na Verônica, minha ex, nossa MAIOR amiga! Passamos todos juntos, todos os anos novos! Virou uma tradição. Então todo dia 31/12 eu penso: que orgulho dessa história!”

Uma perda.
“A minha mãe, tão cedo… Ela se foi em 1996. Fico sempre pensando nas tantas coisas que eu fiz e que não pude mostrar para ela…” 

Um boneco.
“O vovô velhinho da peça Vovô. Nessa peça temos várias versões do Vovô, desde ele bebê até ele velhinho. E ele velhinho é muito parecido com o meu avô, que foi a mais doce das criaturas que eu conheci, e uma das pessoas que eu mais amei na vida.”

Um personagem.
“O Lucas, de O Senhor Dos Sonhos. Criamos, eu e a Verônica Gerchman, na época, pensando na situação em que nosso filho Gabriel vivia na escola. Mas depois, com os anos, fui vendo quanto do Lucas tem em mim! Volta e meia me vejo fazendo ‘coisas Lucas’… “ (risos)

Uma trilha.
“Gosto muito da trilha do filme O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, de Yann Tiersen.”

Um livro.
Nós que Amávamos tanto a Revolução, de Daniel Cohn-Bendit. Nesse livro, o autor entrevista figuras revolucionárias icônicas, algumas décadas depois de seus tempos de “lutas”.  Acho que agora, depois de haver passado pelos meus 60 anos, estou muito atento a essa coisa que o tempo faz com a gente, com o passar dos anos. De como nos tornamos mais simples, talvez mais amorosos (deveríamos…). Esse livro fala disso de um jeito muito bonito.”

Uma brincadeira.
“Pegar um boneco e conversar com uma criança, usando esse boneco. Acho delicioso ver a criança olhando nos olhos do boneco, conversando super, esquecendo que eu, Henrique, estou ali…”

Uma lágrima.
“Putz, essa foi a mais difícil de responder… Mas lá vai: tenho uma forte, fortíssima identificação com a minha herança judaica. E estou muito triste, muito mesmo, com tudo o que está acontecendo nesse momento… “

Uma gargalhada.
“Meu pai, também já falecido, era um excelente contador de piadas. Então me lembro que eu ia à casa dele, já adulto, e sempre havia a “hora da piada”. E eu gargalhava com as piadas dele. Outro dia eu estava me lembrando de uma dessas piadas e voltei a gargalhar. Eu logo pensei: puxa, essa é uma das melhores gargalhadas da minha vida…”

Um abraço.
“Ah, um abraço apertado de filho! Minha maior alegria nesse momento! Encontrar com os filhos e ganhar abraços!”

Uma bronca.
“Ando meio na bronca com as certezas absolutas das pessoas, sabe? Acho que hoje em dia todo mundo virou especialista em quase tudo… Isso às vezes me deixa bem irritado!”

Um elogio.
“Uma vez uma criança perguntou assim: ‘Como vocês fazem para o boneco chorar de verdade? É um caninho por onde sai aguinha?’ Era sobre a cena final do espetáculo Cidade Azul, quando o menino que mora na rua vai, de novo, dormir sozinho, na rua, coberto por jornais. Eu perguntei: ‘como assim, chorar de verdade?’ A criança falou: ‘eu vi as lágrimas saindo dos olhos dele! É um caninho por dentro da cabeça do boneco?’ Bom… Não tem caninho nenhum no boneco, e não tinham lágrimas de verdade, mas a criança “enxergou isso”. Isso pra mim foi um dos maiores elogios que recebi na minha carreira com o teatro de bonecos. Pensei: acho que estamos fazendo direitinho. Bom, tem outros tantos que foram sempre muito importantes, feitos por um grande crítico, um tal de Dib Carneiro Neto! Todos muuuuito importantes!”

Um tombo.
Então… essa também foi difícil. Mas foram vários, todos ligados a relações com pessoas, especialmente quando eu era mais jovem. Na maioria dos casos desfiz relações por conta de ser um pouco radical, um pouco briguento demais, mesmo. Mas acho que somos mesmo mais briguentos quando jovens, né? Outras não…rs. Outras por conta de pessoas não haverem sido corretas. Fiquei pensando na pergunta. E tombo me levou a essa situação de ruptura com pessoas em quem eu confiava muito…”

Uma bagunça.
“Minha mesa de trabalho no meu escritótio! Costumo chamar de “Mesa Triângulo das Bermudas”. Aqui tudo desaparece!”

Um figurino.
De verdade, a roupa preta tradicional da Truks. De vez em quando ainda substituo atores e atrizes da Truks, quando necessário. E, para mim, vestir a roupa preta, prestes a entrar em cena, é muito mágico. É sinal de que “vai começar a festa”, ou então, “a fantasia, o sonho, a brincadeira”. É uma sensação muuuuito boa! Continua me dando medinho entrar em cena, mas é um medo bom, sinal de vida pulsando!”

Um cenário.
“Eu gosto muito do cenário da peça Vovô. A pequena aldeia onde o Vovô nasceu. Ela foi tirada das imagens dos quadros de Marc Chagall, que era o artista preferido da minha mãe. Antes de morrer, ela me falou um dia: e se você fizesse uma peça numa dessas aldeias do Chagall? Então por isso esse cenário é tão especial para mim.”

Uma esperança.
“Eu vivo pensando uma coisa assim: estamos, como humanidade, melhorando ou piorando? E nunca sei responder. Outro dia eu estava no Sesc, em Cuiabá. O Sesc lá se chama Sesc Arsenal. Porque era um arsenal de guerra. Hoje virou centro cultural. E esse pensamento me veio no exato momento em que eu estava assistindo a um belo espetáculo na pracinha desse Sesc. Então pensei: o mundo está melhor! O que era um local pra guerra agora é pra alegria! Eba! Mas aí outro dia eu andava de carro pelo centro de SP num domingo, e a quantidade de gente que eu vi na rua era inacreditável. Muita gente fumando crack, muita sujeira em volta. E pensei: o mundo está pior! Então minha esperança é que o mundo de fato fique melhor! Que a gente evolua, para a paz, a igualdade, justiça social, fim de preconceitos, enfim, tanta coisa. Eu também queria um dia mergulhar no Rio Tietê limpinho e poder nadar nele. E depois deitar no gramadinho da margem do rio e tomar uma água de coco…”

Serviço

Mostra Truks – 36 Anos – Encantando Gerações

Teatro Viradalata – Rua Apinajés, 1387


Dias 14 e 15 de Março – 15h – O Senhor Dos Sonhos
Dia 21 de Março – 15h – Isso É Coisa De Criança
Dias 4 e 5 de Abril – 15h – Serei Sereia?
Dias 11 e 12 de Abril – 15h – Zoo-Ilógico
Dias 18 e 19 de Abril – 15h – Expedição Pacífico
Dia 25 de Abril – 15h – A Bruxinha

Ingressos: R$ 70

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Ficha Técnica

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Serviço

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