O melhor do teatro está aqui

TOPO_CANALTEATROMF_DEUS_att

Nathália Timberg tem no teatro a sua casa

Sinopse

Aos 97 anos, atriz encena “Fôlego”, peça que, embora não seja biográfica, traz elementos da sua história de vida, que se confunde com o teatro brasileiro

Por Ubiratan Brasil (publicada em 28 de outubro de 2026)

O título da peça é uma homenagem à vitalidade aparentemente infinita da atriz Nathália Timberg. Aos 97 anos, ela está de volta aos palcos em Fôlego, texto inédito escrito especialmente para ela por Andréa Bassitt, em cartaz no Sesc Santo Amaro, em São Paulo.

“É uma vida inteira respirando teatro. Foi assim que aprendi a estar no mundo e a me comunicar com os que estavam à minha volta. Depois desse tempo longe dos palcos, é como se eu tivesse estado privada de ar e agora, finalmente, pudesse voltar a respirar“, disse ela, que encenou A Mulher da Van em 2024.

Em Fôlego, Nathália interpreta Rosa, atriz que fundou um teatro ao lado da irmã e do cunhado, ambos já falecidos. Durante décadas, os três mantiveram o espaço, que se tornou uma referência cultural de sua geração. Com o passar dos anos, porém, Rosa se vê sozinha diante das dificuldades financeiras e da falta de recursos para manter o teatro aberto.

“O nome Rosa é uma homenagem ao personagem de O Pagador de Promessas, de Dias Gomes, que Nathalia interpretou no teatro, em 1960″, conta Andréa Bassitt, que pesquisou a vida da atriz para construir uma narrativa ficcional cujo ponto de partida é sua relação com o palco. Mas não se trata de uma obra biográfica.

Carla Marins, Nathália Timberg e Rita Elmôr em Fôlego. Foto Fernando Ocazione

“A peça fala de uma mulher cuja casa é o teatro, essa foi a essência do texto. A partir desse ponto, deixei que a imaginação fluísse, mas sem perder a conexão com a vida dela, toda dedicada ao teatro que, num sentido metafórico, se tornou sua casa”, explica a autora, que pinçou para o texto um importante momento da carreira da atriz.

É justamente a peça Antígona, de Jean Anouilh, protagonizada por Nathália em 1964, montagem em que, durante uma apresentação, a plateia se manifestou dizendo “não” a Creonte junto com a personagem.

Nathália divide o palco com Carla Marins, que vive Juliana, e Rita Elmôr, intérprete de Laura. Sobrinha de Rosa, Juliana apresenta uma proposta para vender o imóvel a uma igreja. Rosa encontra apoio em Laura (Elmôr), sua afilhada e filha de uma antiga camareira do teatro. “O nome da minha personagem é outra homenagem a Nathália, pois é o mesmo da vilã na novela A Sucessora (1978), um dos grandes sucessos da Nathália”, conta Marins.

A disponibilidade da veterana atriz em dividir conhecimento com as colegas é admirada por Elmôr. “Nathália sempre nos incentiva a aprofundar o conhecimento sobre as personagens, buscando a melhor performance”, comenta.

O encenador Ricardo Grasson, que trabalha com Nathália há quase 20 anos como produtor e diretor, observa na aproximação entre atriz e personagem uma das principais camadas da montagem. “A Rosa mistura muito da história de vida da Nathália e da história do teatro brasileiro. É uma atriz de 97 anos que passou a vida inteira no teatro, vivendo com o teatro e vivendo do teatro. É um pouco o que a Nathália faz hoje: ela não deixa o teatro sair dela”, afirma.

Serviço

Fôlego

Sesc Santo Amaro. Rua Amador Bueno, 505

Quintas, sextas e sábados, 20h. Domingos, 18h. Dias 13/11 e 4/12, sextas-feiras, 15h. R$ 70

Até 13 de dezembro (estreou 23 de outubro)

[acf_release]
[acf_link_para_comprar]

Ficha Técnica

[acf_ficha_tecnica]

Serviço

[acf_servico]