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“O Céu Fora Daquela Janela” discute a experiência materna feminina

Sinopse

Peça ambientada em 1759 recria o drama do julgamento de uma mulher supostamente grávida e acusada de assassinato

Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 26 de março de 2026)

Com o filme Doze Homens e uma Sentença (1957), o diretor Sidney Lumet levou para a tela grande o angustiante ambiente de uma sala de jurados. Fechados naquele ambiente, 12 homens decidem sobre o destino de um jovem acusado de assassinato. Enquanto 11 deles não têm dúvida sobre a culpa do rapaz, apenas um (vivido por Henry Fonda) se revela ainda indeciso. Como a decisão tem de ser unânime, começa um tenso debate em que a argumentação aos poucos modifica o estado de espírito daquelas pessoas.

A peça O Céu Fora Daquela Janela, em cartaz no Teatro Antunes Filho, no Sesc Vila Mariana, propõe uma releitura feminina daquele clássico do cinema. Mantém-se a estrutura do júri encarregado de decidir o destino de uma acusada, mas aqui o centro da cena é ocupado por mulheres, deslocando o eixo de poder e perspectiva.

Escrita pela dramaturga britânica Lucy Kirkwood com o título original The Welkin, a montagem da Cia. Bendita Trupe é definida como “uma odisseia de tirar o fôlego”. Ambientada no interior da Inglaterra no ano de 1759, a trama acompanha doze matronas, que são convocadas como um “júri emergencial” para determinar se Sally Poppy, condenada por participação no assassinato de uma criança, está grávida. A decisão é crucial: caso a gestação seja confirmada, a execução por enforcamento será substituída por prisão perpétua.

Cena de O Céu Fora Daquela Janela. Foto Alê Catan

Nesse tribunal improvisado, confrontam-se forças estruturantes da época: ciência e superstição, autoridade médica masculina e saberes ancestrais femininos, justiça institucional e pressão popular. Ao tensionar esses campos, a autora expõe as fissuras de um sistema jurídico conduzido por homens e atravessado por interesses, crenças e disputas de poder.

“A dramaturgia se amplia na percepção de que esta é a história não escrita da experiência materna feminina. Contada com uma estimulante franqueza fraternal, 13 mulheres diversas formam um espectro deslumbrante, furioso e conflitante de humanidade e feminilidade, diante de uma estrutura jurídica que só trabalha para humilhar e massacrar a grande experiência do matriarcado”, comenta a diretora Johana Albuquerque.

Na versão brasileira, o dramaturgo Cacá Toledo adotou um letramento feminista como eixo da tradução, priorizando escolhas no feminino – como “coberta” em vez de “cobertor” – em consonância com a centralidade das personagens mulheres. Ao mesmo tempo, os nomes próprios foram adaptados para formas mais usuais em português, buscando maior fluidez e aproximação com o público.

“A trama percorre caminhos inusitados e simbólicos, trazendo além das conversas e embates entre essas mulheres tão diversas, relatos fantásticos e mágicos, ligados aos fetiches e fantasias femininas, como também, sua conexão com os elementos da natureza (a água, o fogo, as ervas, os aromas, as curas)”, acrescenta Albuquerque.

No elenco, estão Aysha Nascimento, Nilcéia Vicente, Ester Laccava, Fernanda D’Umbra, Daniel Alvim, Vera Bonilha, Pedro Birenbaum, Cris Lozano, Maria Bia, Thais Dias, Claudia Missura, Agnes Zuliani, Jefferson Matias, Sofia Botelho, Cris Rocha, Raul Vicente e Clodd Dias.

Serviço

O Céu Fora Daquela Janela

Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141

Quintas a sábados, 20h. Domingos e feriados, 18h. R$ 70

Até 26 de abril (estreou em 21 de março)

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Ficha Técnica

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Serviço

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