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“Ciranda das Flores” é canteiro de metáforas poéticas

Sinopse

Espetáculo sobre amor e diversidade, com direção de Bernardo Berro, repete a dose de sucesso da dupla Helena Ritto e Jonathan Faria, os divertidos Dorotéia e Osório de “A Incrível Viagem do Quintal”

Por Dib Carneiro Neto (publicada em 30 de janeiro de 2026)

O palco do antigo Teatro Alfa, que marcou época em São Paulo pela vasta programação para crianças que abrigou durante muitos anos, agora totalmente repaginado e transformado em Teatro BTG Pactual Hall, vai virar um grande canteiro florido a partir deste fim de semana, com a estreia da peça Ciranda das Flores, que marca os 40 anos da Morente Forte Produções Teatrais. 

O espetáculo, velho conhecido do público paulistano, também foi repaginado. Em 2009, o texto de Fabio Brandi Torres e Helena Ritto foi indicado ao hoje extinto Prêmio Femsa, em montagem da companhia Prosa dos Ventos. Nessa época, foi apresentado em diversas unidades do Sesc, Virada Cultural, Virada Cultural Paulista, Recreio nas Férias, muitos teatros de São Paulo e participou de dezenas de festivais pelo Brasil e até em Portugal.

“Os dois autores acabaram trazendo uma roupagem um pouco mais atual e inserindo a personagem da Narradora (Beatriz Amado), para ajudar a contar essa história”, adianta o diretor Bernardo Berro. “É uma trama completamente atemporal. Não alteraram a essência do espetáculo, porém, com a entrada da Narradora, a nossa encenação ficou bem diferente, porque possibilita uma conexão mais direta com a plateia.”

Cena do infantil Ciranda das Flores. Foto Carol Ariza

Berro é um “jovem veterano” dos palcos, sobretudo craque em musicais. Atua, escreve e dirige com igual desenvoltura. Só para citar algumas das maravilhas das quais participou, temos na lista de sua trajetória a Canção dos Direitos das Crianças, direção de Carla Candiotto; O Musical Mamonas e Peter Pan, direção de José Possi Neto; e Annie, direção de Miguel Falabella. Mas fez muito mais. Como autor, assina o infantil Cadê a Infância Que Tava Aqui?.

Ele diz: “Quando recebi o texto de Ciranda das Flores, eu me encantei por ele de uma forma absoluta. Foi como se eu enxergasse, à primeira leitura, os seres humanos todos transformados em flores, com suas texturas, suas cores, seus perfumes, seus tipos de solo favoritos, suas necessidades específicas de serem regadas todos os dias ou de não precisar nem de sol. De cara me apaixonei pela mensagem e fiz questão de, diariamente, descobrir formas de dizer aquele texto, preservando toda a base construída na dramaturgia, mas trazendo uma proposta diferente de encenação.”

Um diretor caído de amores pelo espetáculo. O que mais poderia desejar o elenco? Além de ser coautora, Helena Ritto está no elenco, ao lado de Jonathan Faria, intérpretes de Dorotéia e Osório na TV, no Quintal da Cultura. A dupla também esteve em cartaz por um ano e meio com A Incrível Viagem do Quintal, do qual também participou a musicista Beatriz Amado, agora recrutada para narrar, no papel de um Beija-Flor.

“Essas três figuras cativantes, generosas e atrapalhadas (digo isso com amor e devoção), quando conectadas pela narrativa, me trazem o desafio constante de criar e recriar”, declara Bernardo Berro. “É lindo ver o quanto todos os três abraçam as ideias, as propostas, e se permitem experimentar verdadeiramente o processo, mesmo já tendo tanta experiência com o público infantil. Sou bem criterioso e adoro as coisas organizadas, amo os pequenos detalhes. E eles estão, junto comigo, transformando em verdadeiro deleite o nosso desafio de reconstruir esse espetáculo tão sensível.”

O elenco do infantil Ciranda das Flores. Foto Carol Ariza

Igualdade, representatividade, respeito, amizade, família, solidariedade, coragem e amor são os temas que mais aparecem em Ciranda das Flores, segundo conta o diretor. Diversas cantigas de roda, clássicos da nossa infância, estão presentes no espetáculo, como ‘Se Essa Rua Fosse Minha’, ‘Machadinha’, ‘O Beija Flor toma Conta do Jardim’, ‘Alecrim Dourado’, ‘Pombinha Branca’ e ‘Ciranda Cirandinha’.

“O resgate dessas letras e melodias, remodeladas com novos ritmos e experimentações de harmonia, tem como objetivo trazer uma nostalgia leve e gostosa aos mais velhos e a vivência deliciosa da infância do presente para os mais novos, além de tornar o aprendizado mais divertido”, declara Berro. “Na música, encontraremos elementos de brasilidade, com foco em trazer um despertar da musicalização para as crianças.”

Em uma peça que fala de flores de forma tão marcante e poética, impossível não perguntar a esse diretor tão entusiasmado quais sementes ele considera essenciais para se cultivar no palco, quando se trata de teatro para crianças. “Acima de tudo, a semente do respeito”, responde ele, prontamente. “Não gosto de tratar a criança como um ser inferior que não está acostumado a pensar. Ao contrário, gosto de colocar a criança como igual na discussão, no pensamento, na interação com a ação cênica, com o objetivo de compartilhar experiências, sentimentos, vontades, inseguranças, realizações, dentro e fora do teatro, para que ela se abra à experiência, para que ela leve mais do que risadas para casa, leve lições em forma de atitude.”

Serviço

Ciranda das Flores

Teatro BTG Pactual Hall. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722

Sábados e domingos, 15 h. R$ 60 / R$ 120

Até 5 de abril (estreia 31 de janeiro)

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Ficha Técnica

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Serviço

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