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“Medea” traduz o inconformismo de Gabriel Villela com a realidade; veja vídeo

Sinopse

Texto clássico de Sêneca, que traz Walderez de Barros em participação especial, reflete a violência que ronda o nosso dia a dia

Por Ubiratan Brasil (publicada em 27 de janeiro de 2026)

Incomodado com a desatinada aventura humana que marca os dias atuais, com invasões, guerras, incompatibilidade política e, principalmente, degradação do meio ambiente, o diretor Gabriel Villela buscou no teatro clássico um texto que refletisse com vigor seu incômodo. Encontrou Medea, na versão escrita pelo romano Sêneca – habitualmente é montada a peça escrita pelo grego Eurípedes. O espetáculo estreia no Teatro Anchieta, do Sesc Consolação, na quinta-feira, dia 29.

“As tragédias de Sêneca ampliam o que chamam de desmedida: a fúria, a ira, estão no centro de tudo o que escreve”, afirma Villela. “O cerne de seus textos é essa desmedida humana. Na tragédia grega, as desmedidas eram atribuídas aos deuses. Séneca coloca a responsabilidade maior no ser humano, é sempre uma ação humana que passa das medidas. Em suas peças, há a ideia da moderação e sempre tem um momento em que dá a entender que o personagem pode recuar”, completa o diretor adjunto Ivan Andrade.

Villela escalou três intérpretes para Medea: Rosana Stavis, Mariana Muniz e a participação especial de Walderez de Barros. “O papel é apresentado com mais presença por Rosana, enquanto Mariana e Walderez interpretam momentos específicos da peça”, explica. A participação de Walderez, aliás, é rápida, mas marcante, com uma impressionante leitura de um texto de três páginas.

Mariana Muniz como Medea, na direção de Gabriel Villela. Foto João Caldas

O texto acompanha a feiticeira Medea que, abandonada por Jasão, que decide se casar com Creúsa, filha do rei Creonte, vê ruir não apenas o seu matrimônio, como também sua identidade. Movida pela fúria e pela vingança, ela envia presentes envenenados para sua rival, o que culmina na morte da família real. Para atingir o marido no que ele tem de mais precioso, Medea assassina os próprios filhos.

A apresentação de Medea e sua personalidade é uma das diferenças mais importantes entre os dois textos. Medea é descrita como vítima por Eurípides e como algoz por Sêneca. Em ambos os poetas, a manifestação da mulher como traiçoeira, enganadora, feiticeira e perigosa é personificada na personagem que nomeia a peça. As diferenças mais significantes na peça de Sêneca, em comparação com a de seu antecessor, Eurípedes, têm como objetivo colocar Medea em primeiro lugar em todos os momentos.

Walderez de Barros como Medea. Foto João Caldas

“O texto é primoroso e parece importante hoje apontar a relação dele com a violência que ronda o nosso dia a dia. Nós temos nos confrontado com a barbárie o tempo inteiro, na política, nos assassinatos festivos, na internet que julga e sentencia, nos tornamos o vírus capaz de acabar com o planeta”, observa Villela.

Com a cenografia de J. C. Serroni, a montagem cria um espaço duplo inspirado no circo-teatro mambembe e no palácio de Creonte. Os figurinos de Gabriel Villela são também um forte elemento cênico nesta montagem. Ao todo, são 27 peças usadas ao longo do espetáculo. Cada figurino traz a sobreposição de peças ou tecidos com elementos extraídos da natureza da floresta do cerrado mineiro.

https://www.youtube.com/watch?v=qwth1UVRngQ

O elenco é completado por Jorge Emil, Claudio Fontana, Plínio Soares, Letícia Teixeira e Gabriel Sobreiro.

Serviço

Medea

Sesc Consolação – Teatro Anchieta. Rua Dr. Vila Nova, 245

Quintas, Sextas e Sábados, 20h. Domingos, 18h. Sessões em horários diferenciados: dia 14/2, sábado, 18h. Dias 26/2 e 5/3, quintas-feiras,15h. R$ 70

Até 8 de março (estreia 29 de janeiro)

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Ficha Técnica

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Serviço

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