Espetáculo “{FÉ}STA” torna o picadeiro um altar de resistência e beleza, no qual o corpo negro é eterna fonte de criação
Por Redação Canal Teatro MF (publicada em 12 de janeiro de 2026)
O Coletivo Prot{agô}nistas, formado por artistas negros, transforma um picadeiro em um ritual traçado por quatro pontos inerentes à condição humana: morte, nascimento, união e fé. Entre acrobacias, dança e música, a trupe celebra o ciclo da vida e a força que transita entre mundos.
Esse é o segundo espetáculo da trupe que completa sete anos de trajetória após o impacto de primeira obra – Prot{agô}nistas – O Movimento Negro no Picadeiro, que estreou em 2019, no Festival Internacional de Circo de São Paulo FIC-SP. Agora eles aprofundam sua pesquisa entre circo, dança e música e marcam a presença do circo contemporâneo negro ocupando o palco do Sesc Pompéia com a estreia de {FÉ}STA.
Ao contrário do espetáculo anterior, Prot{agô}nistas – O Movimento Negro no Picadeiro, que deu foco à produção autoral dos integrantes, {FÉ}STA, desenvolve cenas coletivas. “Trabalhamos juntos para encontrar um repertório comum, pensando nessa força conjunta. Todos fazem acrobacias, dançam e cantam”, comenta o diretor Ricardo Rodrigues.

O espetáculo enaltece a música, a dança e as artes circenses com estética afro-diaspórica, permeada por poesia, humor e o risco inerente do circo que se entrelaça à força ancestral de quem celebra seus ritos. A cena evoca a espiritualidade, a coletividade e o renascimento constante que marcam o caminhar da população negra. Cada gesto é atravessado por histórias coletivas que ecoam nas rodas, nos terreiros e nas ruas.
“Em linhas gerais, a morte é representada pela travessia. Estamos homenageando quem cruzou o Atlântico e chegou em Pindorama. A união está simbolizada pelo encontro em uma nova terra. A vida está expressa em números aéreos para mostrar a beleza do corpo. Aqui fé não tem rótulos: ela parte de uma roda de samba e caminha para o encanto sublime”, diz Rodrigues.
São nove intérpretes no palco: Zanza Santos, Wilson Guilherme, Tatilene Santos, Robert Gomez, Ricardo Rodrigues, Keithy Alves, Jéssica Turbiani, Helder Vilela e Guilherme Awazu. Todos interagem com um andaime que estimula o risco dos artistas em cena. “Essa estrutura é nosso aparelho circense, que recebe as apresentações de dança e as acrobacias. Ele começa deitado, até que passa a desafiar à física ao ficar em várias outras posições, como em losango, em diagonal e em pé, além de girar”, conta o diretor.
Serviço
{FÉ}STA
Sesc Pompeia. Rua Clélia, 93.
Sextas e sábados, 20h. Domingos, 18h. Sessões extras dias 23 e 30 de janeiro e 6 de fevereiro, 16h. R$ 40
Até 8 de fevereiro (estreia 16 de janeiro)
