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“A Chorus Line” reafirma a força do teatro como espelho e celebração da vida

Sinopse

Musical que completa 50 anos ganha nova versão brasileira, em cartaz no Teatro Villa-Lobos, com um elenco afiado ao valorizar memórias, fragilidades e esperanças dos artistas do coro

Por Ubiratan Brasil (publicada em 23 de setembro de 2025)

Há 50 anos, exatamente em 25 de julho de 1975, um musical estreou em Nova York e estabeleceu novos parâmetros para a Broadway. Ao mostrar o processo de seleção de elenco de um espetáculo, A Chorus Line trazia, como propósito fundamental, recompensar as contribuições e os sacrifícios dos dançarinos do coro, tornando-os as estrelas. “É um espetáculo que fala sobre o teatro musical e especialmente sobre a carreira do bailarino”, conta Bárbara Guerra, coreógrafa e diretora geral da montagem que está em cartaz no Teatro Villa-Lobos.

O espetáculo, que conta com versão em português de Miguel Falabella, mostra como 17 candidatos lutam por oito vagas, mas, além do processo de seleção, o que conta é o problema individual de cada um deles. “Nas audições, a fragilidade está sempre à mostra. E aqui a trama é a mesma de muitos bailarinos: uma vida de muito sacrifício, em que se faz muita aula de dança e canto sem saber se vai conseguir trabalho”, observa o veterano Raul Gazolla, de 70 anos.

O elenco do musical A Chorus Line. Foto Caio Gallucci

Ele interpreta Zach, o coreógrafo e diretor que vai escolher os melhores para seu elenco. Mais que isso: Zach interroga os finalistas, desenterrando o tipo de confissão normalmente reservada aos divãs dos psiquiatras. Ele é inspirado no criador de A Chorus Line, o americano Michael Bennett (1943-1987), coreógrafo e diretor que moldou o musical a partir de uma série de entrevistas gravadas com dançarinos experientes. E a presença de Gazolla é uma homenagem ao grupo de profissionais que participou da montagem de 1983 seguindo todos os padrões da Broadway, então uma raridade na época.

“Os artistas tinham mais garra que técnica. Apenas alguns eram bailarinos, o restante aprendeu nos três meses de ensaios. Como eu fazia capoeira desde os 14 anos e era dançarino amador, aprendi a sapatear e a dançar o clássico e o jazz no próprio ensaio. No mesmo período, tive aulas de canto”, relembra ele, que atuou ao lado de figuras hoje proeminentes no teatro brasileiro como Claudia Raia, Totia Meireles, Guilherme Leme, J.C. Violla, Alonso Barros, Teca Pereira e Augusto Pompeo, entre outros. O espetáculo permaneceu sete meses em cartaz em São Paulo, antes de seguir para o Rio de Janeiro, transformando-se em referência para o teatro musical brasileiro.

“Os artistas hoje não são mais como os de 1975 ou de 1983. A dança evoluiu, os corpos dançantes são completamente diferentes dos daquela época. A atualização no sentido coreográfico e de movimento acontece naturalmente”, explica Bárbara, que incluiu telões de LED no fundo do palco, nos quais são projetas imagens tanto pré-gravadas como ao vivo, captadas pelos próprios atores.

Raul Gazolla em cena do musical A Chorus Line. Foto Caio Gallucci

Segundo ela, as audições aconteciam antigamente como as mostradas no musical: uma fila, dar um passo à frente, vocês estão dispensados, vocês seguem. “Hoje, buscamos humanizar o processo. E, se antes era só deixar um currículo e uma foto, hoje os vídeos ganharam importância para o candidato se mostrar cantando, dançando, atuando. Às vezes, a audição acontece só por vídeo, facilita para quem está no exterior naquele momento.”

O cuidado também está na versão assinada por Falabella, que não se inspirou na tradução de 1983, feita por Millôr Fernandes. “O maior desafio foi manter o rigor da métrica e as sílabas tônicas”, conta. “Em uma canção de Christine, praticamente só há monossílabos, o que não é comum em português. Fui obrigado a dar uma volta ao me apropriar da ideia e criei uma poesia própria. Um exemplo: o verso ‘every prince has got to have his swan’, que traduzido literalmente seria ‘todo príncipe tem que ter seu cisne’, aqui se transformou em ‘cisne branco a voar’ para se encaixar no tempo da música e no ritmo da dança. Foi a mais difícil versão que já fiz porque é muito recitativa.”

Entre as canções icônicas estão I Hope I Get It, que abre o espetáculo traduzindo a ansiedade dos candidatos diante da audição; Nothing, solo de Diana que expõe sua frustração com um professor de interpretação; At the Ballet, em que três bailarinas relatam como a dança foi refúgio diante de lares marcados por dor e ausência; Dance: Ten; Looks: Three, número irreverente de Val sobre os padrões estéticos; What I Did for Love, hino de dedicação e sacrifício pela arte; e One, número final em que todo o elenco se reúne em formação de linha, celebrando o coletivo e a grandeza do palco.

Outra cena do musical A Chorus Line, com direção e coreografia de Barbara Guerra. Foto Caio Gallucci

Na sessão do dia 24, reservada para convidados, haverá uma homenagem ao elenco da montagem brasileira de 1983, com boa parte deles participando de One, entrosando com o elenco atual. A direção musical é de Jorge de Godoy.

Além de Gazolla como Zach, estão entre os destaques Paula Miessa (nos papeis de Cassie e Diana), neta de Paulo Goulart e Nicete Bruno, que integrou o elenco original de Chicago na Espanha (2023/2024); Carol Botelho (Diana e Judy), que protagonizou o musical Rio Uphill; Andreza Medeiros (Judy, Val e Connie), que atuou em produções como Wicked e West Side Story; Mari Saraiva (Bebe, Kristine e Sheila), com mais de 25 musicais no currículo, incluindo Wicked, Cabaret e Billy Elliot; Luciana Bollina (Sheila e Cassie), multiartista vencedora do Rio Webfest como Melhor Atriz; e Carol Costa (Connie e Val), premiada por sua interpretação de Bibi Ferreira em Clara Nunes – A Tal Guerreira e indicada ao Prêmio Bibi Ferreira por viver Roxie Hart em Chicago.

A montagem traz ainda nomes como Murillo Ohl (Mike e Don), formado na AMDA em Nova York e integrante de produções como Aladdin e Frozen; Vitor Veiga (Richie, Mark e Paul), um dos intérpretes de Simba em O Rei Leão; Tiago Dias (Frank, Richie, Bobby e Larry), premiado no Prêmio DID 2024 pela coreografia de Hairspray; Gabriel Malo (Paul e Mark), coreógrafo vencedor do Prêmio Bibi Ferreira 2023 por Once; e Sandro Conte (Mark, Mike e Al), que acumula mais de 10 anos de carreira em musicais como Wicked, Billy Elliot e Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolate, entre outros nomes que compõem o grande elenco.

Serviço

A Chorus Line

Teatro Villa-Lobos. Shopping Villa-Lobos. Av. Dra. Ruth Cardoso, 4777

Quinta e sexta, 20h. Sábado, 16h e 20h. Domingo, 15h30 e 19h. R$ 45 / R$ 320

Até 14 de dezembro (estreou em 18 de setembro)

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Ficha Técnica

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Serviço

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