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“A Rosa Mais Vermelha Desabrocha” reflete sobre o amor na contemporaneidade

Sinopse

Inspirada nos quadrinhos da sueca Liv Strömquist, peça, agora no Teatro Estúdio, mescla projeções, trilha sonora contemporânea e um perfume especialmente criado

Por Ubiratan Brasil (publicada em 17 de setembro de 2025)

Quadrinista e apresentadora de rádio, a sueca Liv Strömquist tornou-se conhecida por suas obras, que abordam satiricamente questões sociopolíticas e feministas. Foi um dos destaques da edição deste ano da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, onde tratou de vários assuntos, como a HQ A Rosa Mais Vermelha Desabrocha (Quadrinhos na Cia), adaptada para o teatro brasileiro por Bianca Lopresti e Ale Paschoalini.

Em curta temporada no Teatro Estúdio, a peça (cujo título foi emprestado de um verso da poeta norte-americana Hilda Doolittle) examina as engrenagens do amor, explorando, com humor e crítica, o impacto do capitalismo e da era digital nos relacionamentos, unindo teatro, artes visuais e até um perfume criado especialmente para a peça.

O elenco de A Rosa Mais Vermelha Desabrocha. Foto Helena Wolfenson

Com direção de Ale Paschoalini, o espetáculo se divide em três atos, nos quais quatro atrizes interpretam várias personagens com uma abordagem singular sobre as relações afetivas. Entre as histórias, Bianca Lopresti interpreta uma monogâmica confluente que questiona o amor romântico. Já Carolina Splendore vive uma apaixonada, mas que nunca se envolveu com alguém por mais de dois anos. Fernanda Viacava faz uma mulher que foi casada por duas décadas e agora enfrenta a solteirice. E Lenise Oliveira vive um relacionamento aberto e defende sua liberdade amorosa.

A essência dos quadrinhos de Strömquist foi mantida, especialmente o saboroso caldeirão de influências, que vão desde as traições de Sócrates e Teseu até Beyoncé, o filósofo Sören Kierkegaard, os smurfs, a namorada alucinada de Lorde Byron, Platão e Jabba de Star Wars.

Em cena também, um boneco de madeira representa um “homem objeto”, na verdade, um famoso ator americano, conhecido por namorar apenas mulheres até 25 anos de idade. “O boneco também existe para sintetizar o comportamento das pessoas contemporâneas, que comunicam pouco ou nada seus sentimentos, e que ainda, segundo a teoria da autora, pararam de sentir. No espetáculo, sua presença se desdobra em diferentes personagens masculinos, ampliando a reflexão sobre masculinidade e afetividade na sociedade atual”, conta o diretor.

Cena de A Rosa Mais Vermelha Desabrocha, inspirada na HQ de Liv Strömquist. Foto Gabriel Cabral

Sobre a versão, que mescla projeções, trilha sonora contemporânea e um perfume criado por Cristian Alori, da International Flavors & Fragrances, especialmente para a peça, ampliando a experiência sensorial, Bianca Lopresti respondeu as seguintes perguntas formuladas pelo Canal Teatro MF.

O que mais te interessou nos quadrinhos da Liv Strömquist?
Me encanta a forma como a Liv consegue traduzir teorias complexas – da filosofia, da psicanálise e da sociologia – em narrativas acessíveis, cheias de humor e ironia. Ela fala de temas profundos de um jeito direto, que nos ajuda a refletir sobre nossos próprios comportamentos. Afinal, todos já passamos por experiências de nos apaixonar, desapaixonar, amar e desamar…
Na adaptação para o teatro, mantemos a dinâmica tão característica da HQ, através de esquetes com personagens emblemáticos do quadrinho e, para costurar essas cenas, criamos quatro protagonistas que vivem o amor de formas distintas.

Na Flip, ela disse uma frase interessante: “Busco trazer um questionamento sobre a realidade, como a dificuldade de se apaixonar, que é tão comum na sociedade atual”. Creio que isso ajudou na adaptação, não?
Sim! Ela traz personagens que ajudam a ilustrar esse comportamento como o Leonardo DiCaprio que até virou meme na internet, por repetir o mesmo comportamento de se relacionar com mulheres de até 25 anos. Elizabeth, que participa de um reality de casamentos “Casamento às Cegas” e acaba rejeitada simplesmente por não corresponder às expectativas do homem.
Assim como no livro, a peça não busca dar respostas prontas, mas sim iluminar as perguntas. O amor sempre foi um terreno complexo, mas, na era digital, a abundância de opções e a velocidade dos encontros trazem dilemas novos: será que essa liberdade nos aproxima ou nos afasta? Conhecendo mais pessoas, conseguimos nos aprofundar em alguém? Durante o espetáculo, o público é levado a revisitar suas próprias experiências amorosas.

Aliás, ela participou de alguma forma da adaptação? O que achou de ter uma obra vertida para o teatro?
A Liv é uma artista reconhecida mundialmente. Vários livros traduzidos em outras línguas. Não é a primeira adaptação de um livro para o teatro. No nosso caso, ela não participou diretamente do processo criativo, mas sempre foi muito generosa e receptiva em todas as solicitações!
Infelizmente não conseguimos apresentar a peça enquanto ela esteve no Brasil, mas mostramos algumas fotos e trechos do espetáculo e ela reagiu com muita emoção, dizendo: “Oh, que bonito! As estrelas! Que lindo!”. Também criamos bonés com os desenhos do livro, e ela adorou, chegou a escolher o de golfinhos. Foi bem especial esse encontro com a Liv para nos dar ainda mais força de seguir com o espetáculo!

Outra cena de A Rosa Mais Vermelha Desabrocha, baseada na HQ de Liv Strömquist. Foto Gabriel Cabral

Desde a estreia, a peça sofreu alguma alteração? Como foi?
Parece que a peça nunca esteve tão boa como agora!
Acho que em questão de dramaturgia tivemos poucas alterações. Uma cena e outra que melhoramos o entendimento, uma fala ou outra que adicionamos e fez mais sentido…
Estreamos em março, encontro com a Liv em julho, Mostra Cultural Sesc Cariri, em Juazeiro do Norte, e no Sesc Bertioga em agosto. Esse tempo nos ajudou a amadurecer como pessoas e artisticamente. Essa sensação que o teatro nos permite de deixar o espetáculo sempre vivo!

Como a plateia masculina reage às proposições da peça?
Tem sido muito positivo! Sentimos que a peça consegue questionar o patriarcado sem afastar os homens, pelo contrário: eles se reconhecem nas situações e se permitem refletir junto com a plateia.
A própria Liv, em sua passagem pelo Brasil, ressaltou a importância de integrar os homens nessa discussão. Afinal, a crítica ao patriarcado não deve ser um muro que separa, mas uma ponte que convida todos a repensarem seus papéis nas relações.

Serviço

A Rosa Mais Vermelha Desabrocha

Teatro Estúdio. Rua Conselheiro Nébias, 891

Dias 17, 18, 24 e 25 de setembro (quartas e quintas) 20h. R$ 80 / R$ 100

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Ficha Técnica

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Serviço

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